E-sports e aplicação de tecnologia para inclusão, saúde mental e aprendizagem "hands on" são apresentados em Londres


Créditos: divulgação


De 23 a 25 de março, o Excel London recebeu mais de 20 mil educadores do mundo todo para três dias de conteúdo e apresentação de novas tecnologias e soluções para os problemas atuais que rondam o universo da Educação. Foram mais de 90 horas de palestras, com cerca de 450 palestrantes e 400 expositores, na maior feira internacional do setor. A 37.a edição do Bett Show reuniu a comunidade global de Educação de forma presencial pela primeira vez em dois anos. 

E-Sports

Lançado em parceria com a British Esports Association, o Esports @ Bett trouxe especialistas para mostrar como escolas e universidades podem aproveitar esse setor em crescimento para envolver os alunos, apoiar os objetivos de ensino e aprendizagem e identificar habilidades futuras. Também sediou torneios ao vivo da Rocket League, na qual equipes de diferentes regiões do Reino Unido competem entre si por prêmios concedidos pela Lenovo, Acer/Planet 9 e Republic of Gamers.

De acordo com o gestor de Esportes e Cultura do Positivo International School, Gino Fellipe Santoro, os e-sports já fazem parte do mundo dos adolescentes no mundo todo, e os educadores que souberem utilizar esse recurso para o aprendizado vão ter mais sucesso, pois essa é uma linguagem cada vez mais utilizada pelos jovens. Além disso, carreiras em games estão em ascensão, e as habilidades para os profissionais dessa área devem ser aprendidas desde criança.

Saúde Mental

A importância de um currículo que aborde inteligência emocional desde os primeiros anos foi tema de diversas palestras da Bett UK. A alfabetização emocional foi citada em muitos dos painéis e workshops da feira. Para Mark Sparvell, director education marketing da Microsoft, “a inteligência emocional é um novo super poder. Nossa missão é empoderar todo estudante do planeta”.

O grande desafio é prever pontos sensíveis que podem estar afetando a saúde das crianças para além da sala de aula. A CEO do Education Policy Institute, do Reino Unido, Natalie Perera, lembra que “as doenças mentais aumentaram muito durante a pandemia. Mas, embora seja importante pensar e cuidar disso, também é fundamental que essas crianças vivam em uma boa casa, que tenham acesso à comida, ao saneamento e a outros serviços básicos. Só assim, elas poderão ter saúde emocional”. 

O fenômeno que a pesquisadora Kathy Weston chama de "Coronacoaster", amplificou problemas emocionais como a ansiedade entre crianças. Porém, segundo ela, que é pHd em Ciências Sociais e fundadora da plataforma Tooled Up Education (www.tooledupeducation.com), isso já preocupava os especialistas antes mesmo da pandemia e, com a volta das crianças às escolas, esses problemas são ainda mais perceptíveis e urgentes. Segundo ela, muitas questões emocionais podem ser resolvidas se a família e a escola estiverem em sintonia, de olho na autoestima dessas crianças. "A baixa autoestima delas é um problema global no momento. Precisamos encontrar formas de aumentar a autoestima de cada uma, fazer com que se sintam bem com elas mesmas e combater os preconceitos como misoginia, racismo, desigualdade etc. Tudo isso faz com que sintam que o mundo não é um lugar seguro e que elas não têm o poder de mudar ou influenciar algo", ressalta. 

Empregabilidade

Outra tendência absoluta é a preocupação com a entrada dos estudantes no mercado de trabalho. Afinal, se há um acompanhamento próximo desde os primeiros anos de escola, o objetivo não é outro senão preparar crianças e adolescentes para a realidade da vida adulta. Novidade como o Skill Space, espécie de rede social voltada para a construção e melhoria do portfólio desses jovens, é uma amostra desse tipo de iniciativa.

“Quando falamos sobre empregabilidade, precisamos ajudar os jovens a equilibrar a vida, a encontrar um propósito com um salário com o qual possam se manter da maneira como escolheram. O que é mais importante para os humanos é ser mais humanos, a despeito do uso de tecnologia. Colaborar, ser criativo, pensar de forma que só o ser humano pode pensar”, diz Valerie Hannon, co-fundadora da Innovation Unit e do Global Education Leaders Partnership.

Avaliações

Nada de provas sem consulta ou notas que classificam os estudantes em um ranking de quem sabe mais e quem sabe menos. Entre especialistas, já é praticamente consenso que as avaliações escolares precisam de um componente mais humano para que sejam realmente úteis. De acordo com o CEO da The e-Assessment Association, Matt Wingfield, a avaliação “não serve só para que os avaliadores entendam como está a evolução dos alunos , mas também para que eles próprios conheçam seu nível de aprendizado”.

Por sua vez, o professor de Aprendizagem da Universidade de Winchester, Bill Lucas, destaca que os dias de teste sem acesso à internet ou aos livros estão contados. “Por que expomos as crianças a avaliações quando elas não estão prontas? Não fazemos isso para tirar a carteira de motorista, por exemplo. Avaliações não deveriam fazer mal”, declara.

Inclusão

Em uma sala de aula cheia de estudantes que vêm de diferentes contextos e têm necessidades variadas, o tema da inclusão precisa ser uma tônica constante. Ao longo dos três dias de Bett Show London 2022, sobraram debates sobre as melhores maneiras de permitir que cada criança aprenda no seu tempo e do seu jeito, mas de forma integrada aos professores e ao restante da turma. Além disso, os especialistas discutiram de que formas a tecnologia pode contribuir para a construção de um ambiente escolar mais inclusivo.

Em muitos níveis, o uso da tecnologia contribui de maneira fundamental para que todos se sintam incluídos. Mas, independentemente dela, há algumas estratégias básicas que podem ser adotadas por qualquer professor. Para a diretora de Educação da Cognassist, Louise Karwowski, é indispensável ter em mente que as pessoas processam as informações de formas diferentes. “Os estudantes não são somente estudantes, mas seres humanos complexos, indivíduos com diferentes tipos de conhecimento. É indispensável entender isso e individualizar o ensino para atender a cada um deles”, afirma.

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Paulo Melo

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