Crescer não significa abandonar tudo aquilo que fomos. Algumas experiências da infância permanecem e influenciam a maneira como lidamos com escolhas, inseguranças, frustrações e até com o futuro.
Essa é uma das reflexões presentes em Era uma vez uma história, da psicanalista Carla Meneghini. A obra convida crianças e adultos a olhar para a própria trajetória e perceber que devemos cultivar a curiosidade, a imaginação e a capacidade de sonhar. Afinal, esses atributos podem continuar fazendo parte de quem somos e, quando revisitados com novos olhos, podem ganhar outros significados.
A partir da narrativa, a autora propõe uma reflexão: afinal, o que a criança que fomos ainda tem a dizer para o adulto que nos tornamos?
1. Você ainda se permite imaginar?
Na infância, criar costuma ser uma atividade natural. Com o passar dos anos, entretanto, algumas pessoas deixam de lado interesses, sonhos e formas de expressão que antes faziam parte de sua identidade.
No livro, a princesa representa justamente personagens e elementos da imaginação infantil da escritora que foram sendo esquecidos conforme ela cresceu. Este é um convite para que possamos perceber quanta criatividade ficou pelo caminho e que precisamos resgatá-la.
2. O medo de errar ou de não ser perfeito
A busca pela perfeição pode nos impedir de evoluir, tomar decisões e seguir em frente. Na obra, uma velha história passa anos procurando o final perfeito e, de tanto acreditar que sempre poderia encontrar algo melhor, envelhece sem conseguir concluir sua trajetória.
A situação funciona como uma metáfora para a dificuldade de aceitar que nem sempre teremos controle sobre os resultados. Na vida adulta, o medo de falhar pode fazer com que escolhas sejam adiadas e possibilidades sejam abandonadas antes mesmo de serem experimentadas.
3. Olhar o passado com carinho e apreço
Quando não sabe mais para onde seguir, a personagem recebe o conselho de voltar ao início de sua história. Ao refazer o caminho, ela passa a enxergar o passado de outra maneira e percebe que algumas experiências podem ganhar novos significados.
Revisitar a infância, portanto, não é permanecer preso ao que aconteceu, mas sim uma oportunidade de compreender sentimentos, escolhas e percepções que ainda fazem parte da vida atual.
4. Como uma criança enxerga a vida?
A princesa da história já havia sido uma personagem importante na imaginação da escritora, mas acabou deixada de lado conforme novos interesses surgiram. Ela permanece esquecida dentro daquela mente, esperando voltar a ter espaço.
A analogia convida a pensar sobre aquilo que deixamos de lado ao crescer: uma paixão, uma curiosidade, uma característica da personalidade ou até uma maneira mais espontânea de enxergar o mundo.
5. O que acolher em vez de combater?
A busca pelo “monstro” leva a história justamente até a criança que a escritora foi, que assusta, grita e parece ameaçadora, mas, quando é acolhida, consegue se acalmar.
A imagem reforça uma ideia central da narrativa: algumas partes de nós, como medos e erros, precisam ser compreendidas e acolhidas, e não combatidas.


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